Quando o vi de perto pela primeira vez,
logo após a sua inauguração em 1971, tomei um forte impacto. Parecia uma
nave pousada nas areias da praia de Tambaú. E , o mais incrível, é que
sua concepção, obra do genial Sérgio Bernardes,
um nome consagrado na arquitetura brasileira e internacional, não
agredia a paisagem natural daquela que considero a mais bela praia do
Nordeste. Suas linhas se harmonizavam com o ambiente bucólico da João
Pessoa daquela época, que tinha ares de província
e o turismo era uma atividade incipiente e , praticamente, inexistente.
Criado a partir da ousadia de um
governador insubmisso , João Agripino Filho, uma das maiores lideranças
políticas do Estado, o Hotel Tambaú foi construído ignorando as questões
ambientais que, naquele tempo, não despertavam a
atenção nem a preocupação da sociedade. Pela
primeira vez no país, erguia-se um hotel não de frente à praia, como
seria natural, mas em suas areias, com o mar a lhe beijar os pés.
Concluído pelo governador Ernani Sátiro,
a sua inauguração foi um acontecimento
único na história da cidade que via nascer ali o símbolo da sua coragem e
da sua pujança, um marco divisor no turismo da nossa terra.
Logo depois de inaugurado, foi arrendado à Companhia Tropical de Hotéis, empresa do grupo Varig,
uma das maiores companhias aéreas do mundo. Um
império, fundado por Rubem Berta, que tornou-se o maior símbolo na
história da aviação Brasileira. O equipamento, construído com verbas
públicas, não poderia estar em melhores
mãos, com garantia plena
de retorno do investimento.
Durante quase cinco décadas, foi
o mais importante cartão postal da Capital paraibana. Uma de suas
maiores fontes de divisas, atraindo hóspedes de todas as
nacionalidades; servindo de sede para grandes eventos, nacionais e
internacionais; gerando emprego, renda, recolhendo impostos
e contribuindo com o desenvolvimento econômico da
Paraíba. Hospedou personagens ilustres, políticos, artistas,
cientistas, esportistas
e grandes nomes das artes e da cultura brasileira.
Fechado e abandonado por quase um ano,
enquanto aguarda o desenlace de um processo judiciário que o levou à
hasta pública, o Hotel Tambaú jaz, inerte, completamente ignorado pelos
poderes públicos. Não se ouve uma palavra, não
se observa uma ação, de um senador, deputado ou vereador;
não se tem noticia de um único gesto de uma autoridade que possa contribuir para solucionar o impasse.
Não se pretende que o Estado ou a
Prefeitura pague as dívidas do Hotel. O que se deseja é que manifestem
interesse pelo caso; que
procurem saber, ao menos, o que, na realidade, se passa com um empreendimento de valor incomensurável,
construído com o dinheiro dos paraibanos
e que não pode ser desprezado como se fora um imóvel sem importância. Suas paredes precisam ser preservadas pois
guardam boa parte da história do nosso tempo.
Patrimônio de todos
08 Dez 2020- 167