Não votei no presidente Jair Bolsonaro. Minha história como filho de um homem cassado e exilado pelo regime militar implantado no país a partir de 1964, não me estimulava a votar em quem representava tudo aquilo que atingiu a minha família, embora não guarde rancor nem ódio daqueles que protagonizaram aquele episódio marcante na vida brasileira. Tanto assim que tenho reconhecimento por dois homens que presidiram o Brasil naqueles turvos tempos de opressão: o general Ernesto Geisel, que iniciou a abertura “lenta e gradual” rumo à democracia; e o general João Batista Figueiredo, que promoveu a anistia geral de todos os atingidos pelos atos de exceção, incluindo o paraibano Abelardo Jurema, ministro da Justiça no Governo Goulart. Posso afirmar que torci pelo êxito da gestão do novo presidente do Brasil. Acreditava que, uma vez eleito, o Capitão iria propor um governo de conciliação nacional, descendo do palanque e passando a governar para todos os brasileiros, independente de ideologias, de cor partidária, raça, orientação sexual ou religiosa. Afinal, com a responsabilidade de dirigir um país continental, celeiro da diversidade humana, era preciso ter olhar amplo, que enxergasse muito além do horizonte, que compreendesse as necessidades e os anseios de toda a sociedade brasileira. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. Desde o início do seu mandato, o presidente da República, cego de vaidade e inebriado pelo poder, limitou-se a dar ouvidos apenas aos apoiadores que o aplaudiam e reverenciavam; insuflava manifestações antidemocráticas; não aceitava os que discordavam dele e agredia os que ousavam contrariá-lo. Mas foi na pandemia onde o nosso presidente revelou-se um homem insensato, que nunca levou a sério a gravidade que o caso exigia, subestimando as suas consequências; desrespeitando a dor das famílias enlutadas; ironizando os seus efeitos e se comportando às avessas do que se poderia esperar de um líder autêntico na defesa dos seus concidadãos. O meu filho mais velho, João Luiz Jurema, que votou no presidente Bolsonaro cheio de esperanças, e que sempre o defendeu, viu-se obrigado a reconhecer: - Os posicionamentos dele diante da doença, que já matou milhares de brasileiros, que ameaça a todos nós, é indefensável. Enquanto o mundo inteiro aguarda a vacina, ele desdenha dela, desestimula a sua aplicação e faz da pandemia uma disputa política inteiramente inoportuna, desnecessária e incabível, observou. Numa hora dramática como a que estamos vivendo, gostaria de ver no Palácio do Planalto um presidente afirmativo, consciente, preparado para o enfrentamento das adversidades; um líder que convocasse a Nação a se unir contra o inimigo, e passar aos seus liderados a confiança que se espera em um autêntico comandante, como fez Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. - Anuncio ao povo brasileiro que todos podem ficar tranquilos, que estamos juntos nesse desafio; vocês têm um presidente que está pronto para essa guerra que haveremos de vencer; que todas as providências estão sendo tomadas para a vacinação em massa da população e que, no meu Governo, ninguém mais morrerá dessa doença que será definitivamente erradicada do nosso país. Era apenas isso o que eu desejava ouvir de quem tem a responsabilidade de dirigir a Nação.
O meu presidente
22 Dez 2020- 216