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O estadista e o político

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Entre tantas lições que venho repetindo nesses artigos,  foi o dr. Abelardo de Araújo Jurema quem também me ensinou a diferença entre  o estadista e o político. Citava muitos exemplos, entre eles o presidente Juscelino Kubitscheck a quem apontava  como o governante que sempre colocava o interesse nacional acima de qualquer outro argumento, que pensava o  país como um todo e não se prendia a questões menores nos momentos que exigiam  decisão e responsabilidade.  - Estadista é o homem que governa para todos, que não discrimina adversários pelo fato de lhe fazerem oposição; que trabalha para pacificar o país;   que se debruça em sua missão concentrado no bem comum; que é capaz de renunciar às suas  convicções  e colocar em jogo a própria vida pelo bem da sua pátria e dos seus concidadãos, ensinava.  Jurema citava o comportamento de JK durante a conhecida Revolta de Jacareacanga, em 1956,  quando militares de Aeronáutica  se rebelaram contra a sua posse na presidência da República e pretendiam bombardear os Palácios do Catete e das Laranjeiras. Após  o movimento ter sido debelado,  contido pelas forças legalistas, leais à  Constituição, Juscelino anistiou todos os rebeldes em nome da pacificação das Forças Armadas. “Foi atitude de estadista”, proclamava o velho Abelardo.  O mundo  está repleto   de personagens que marcaram a sua passagem como  grandes estadistas. Winston Churchil, comandando os Aliados na 2ª Guerra; o Papa João Paulo II, que extrapolou os limites da Igreja Católica e foi um dos lideres mais influentes do século XX; Abraham Lincoln, presidente americano que aboliu a escravidão no seu país; Mikhail Gorbachev, que promoveu a Perestroika e pôs fim à Guerra Fria ; Angela Merkel , a primeira mulher e a primeira representante da Alemanha Oriental eleita pelo parlamento, e tantos outros nomes que fazem parte da história do nosso tempo.  No Brasil de hoje não temos um  homem que preencha os requisitos para ingressar nesse  clube restrito. Eleito pelo voto direto, com o apoio da maioria dos  brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro não tem se mostrado capaz de cumprir esta missão,   mesmo tendo assumido   o Governo em plenas condições de  reunificar o País, promovendo a paz e a dignidade perdida após quase 20 anos de predominância de uma gestão conturbada e marcada por escândalos de corrupção e desvios de recursos públicos.  Mas o nosso Capitão frustrou as nossas expectativas.  Ao invés de convocar os seus concidadãos   para um governo de união, apresentando-se como um presidente de todos os brasileiros, preferiu o caminho da discórdia, do confronto, alimentando  as divergências partidárias e ideológicas, dividindo o País em dois lados,  como se não existissem  outras opções de convivência para o entendimento e a razão.   Com o agravamento da pandemia e a necessidade premente de um líder que tome para si a responsabilidade de reagir ao infortúnio, de apontar os caminhos e providenciar soluções, ficou ainda mais evidente a falta que nos faz um estadista que aja com seriedade  e equilíbrio;  que  saiba discernir entre a tragédia e o mal estar passageiro; entre o drama e a comédia.  Os brasileiros hoje clamam pela vacina. A obrigação de qualquer Governo  é providenciá-las e disponibiliza-las para a população. É uma questão de vida ou morte.

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