Nada se compara à sua ação reconfortante, revigorante e apaziguadora.
Quando sincero, mesmo que de um estranho a quem você tenha
conhecido há poucos instantes, é capaz de operar milagres, de lhe
reconstituir as forças, de lhe servir de bálsamo para a dor e a
amargura. Um abraço é assim: a mais completa forma de cumprimento
entre duas pessoas, sejam entre homens ou mulheres, ou entre ambos. Não
distingue raça, cor, sexo ou idade: o seu efeito é imediato.
Um abraço acalma, reconforta, consola, a quem dá e a quem recebe. Muitas
vezes precisamos dele para desabafar, para nos sentir acolhidos,
amparados e amados. Para saber que temos alguém que gosta da gente, que
está do nosso lado; que se preocupa com as nossas
angústias e vicissitudes ou que vibra com as nossas conquistas. Que
divide a nossa alegria, que compartilha a nossa felicidade.
Definitivamente, não dá para viver sem ele. Nas nossas relações
pessoais, é praticado com freqüência para demonstrar o tamanho do nosso
afeto. Em família ou entre amigos,
é capaz de fazer chorar quando aplicado em
momentos de emoção como o Natal e Ano Novo ou nas ocasiões em que
precisamos de solidariedade
para enfrentar os nossos problemas.
É isso: o abraço é um instrumento de
solidariedade humana, de generosidade e de amor ao próximo. Um gesto
altivo, despojado, em que abrimos o nosso peito e o nosso coração para
sentir de perto o calor humano de nossos semelhantes, receber
e repassar as nossas melhores energias.
Em um abraço há poder. No coração de todos nós, há poder. Em um olhar
sincero, há poder. No compadecimento, há poder. No agir, há poder. No
amor, há poder. De mudar, de transformar. De cumprir a perfeita e
agradável vontade de Deus. De transcender as nossas
imperfeições, por que a mudança acontece dentro de nós, para depois se
alastrar pelo mundo.
É avaliação que faço após esse
conturbado e dramático ano de 2020 quando, entre tantos
sofrimentos, desalentos e angústias, impostos por uma
pandemia que parece não ter fim, infelicitando a humanidade, ainda nos obrigou
a conhecer o “isolamento social” ,
nova denominação para uma cruel tortura psicológica que privou a todos do contato físico mais eloquente
entre quem se ama e se
estima.
Que 2021 seja o ano do abraço. Do cumprimento efusivo, do rosto colado,
do afago carinhoso. E que as lições recebidas, de respeito ao próximo,
de humildade, compartilhamento,
compaixão e generosidade, tenham sido suficientes para retemperar as relações humanas, revigorar os
bons sentimentos , nos fortalecer o espírito e renovar a nossa fé e
esperança no poder Divino do Criador.
Que venha a vacina e com ela o remédio para a nossa principal carência:
um abraço gostoso, afetuoso, sincero e bem apertado como o que desejo
agora a todos os amigos que nos honraram
com a sua leitura neste ano duro, amargo, difícil e desafiador.
O ano do abraço
29 Dez 2020- 176