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Em janeiro de 2020, reuni a minha equipe na sede da Abelardo.com e fiz uma preleção, falando sobre os projetos para o ano
que se iniciava:
- Teremos muito trabalho pela frente.
Vamos comemorar os 45 anos da coluna na Imprensa paraibana; vou lançar o
livro “A Casa das Letras” e iremos
fazer uma grande festa para o relançamento do
livro Cesário Alvim 27 – Histórias do Filho de Um Exilado, em segunda
edição, pela Universidade Federal da Paraíba. E ainda
promoveremos o Troféu Heitor Falcão e a Feijoada do Abelardo.
Nada disso se concretizou. Os planos de
Deus eram outros e uma pandemia, que surgiu logo após o carnaval, mudou a
vida do planeta. Tudo o que havia planejado foi por terra e até o
jornal em que
trabalhava há 30 anos, o Correio da Paraíba, não resistiu à crise e
fechou, definitivamente, as suas portas, deixando órfão os seus
leitores, funcionários e colaboradores.
A partir dali percebi que os tempos seriam outros. Decidi, então,
continuar o meu trabalho mantendo a coluna na
internet, através das plataformas digitais. Mesmo contrariando a opinião
de quem desacreditava da nova proposta, me mantive perseverante.
Tinha a convicção de que ali estava
o caminho para me manter em atividade, realizando o que realmente gosto
e sei fazer: jornalismo, com qualidade, independência, isenção e
idealismo.
Ao final de um ano tão conturbado,
percebí que o ‘velho’ Abelardo Jurema, mais uma vez, tinha razão: “é na
adversidade que o homem cresce e se fortalece”. E vou mais longe: é na
dor que aprendemos
a valorizar a saúde; é na derrota que conhecemos o sabor da vitória; é
na amargura e nos momentos de angústia que damos valor à amizade
verdadeira. E é nas vicissitudes, quando nos sentimos desafiados ou
ameaçados, que conhecemos o nosso poder de reação e
capacidade de superação.
Estou entre os que aprenderam com o
isolamento social. Que descobriram as vantagens de permanecer em casa
com a família; que valorizaram o réveillon com mulher e filhos. Embora
lamentando as
duras perdas dos muitos amigos, chego ao final de 2020 me sentindo
uma pessoa melhor, mais amadurecida, mais consciente , com mais vontade
de viver e de servir ao próximo; de assumir responsabilidades; de
manifestar o meu afeto e
me reconciliar com desafetos; e de abrir o meu coração e o meu espírito com generosidade e desprendimento.
Também me situo entro os que aguardam a
vacina. Não porque precise dela, pois fui um dos infectados pela
covid-19 e, segundo o meu médico, dr. Túlio Petrucci,
tenho muito poucas chances de readquirir a
doença. Mas não vejo a hora de ver todos se abraçando, se aglomerando e
se confraternizando sem a ameaça de contrair um vírus que é capaz de
matar , de deixar seqüelas e de
afetar, gravemente, a saúde das pessoas.
Alguns insistem dizer
que o ano não existiu ou que deveria ser abolido
do calendário universal. Não acho que deva ser assim. 2020 foi um tempo de fortalecimento,
indispensável à história da humanidade , onde
todos passaram não apenas a se precaver da doença mas, também, a
conhecer o seu efeito colateral, que vai nos deixando
um mundo mais compassivo; mais justo, humano, solidário e revigorado na fé do Criador.