A coluna do Abelardo nasceu em 1975, quando, após uma passagem como estagiário do
Jornal do Brasil, ainda no Rio de Janeiro, e
uma breve experiência na redação de O Norte, ao tempo de Marconi
Góes, fui convidado pelo jornalista Jório Machado para preencher o
espaço deixado por Heitor Falcão, o grande nome
da crônica social daquela época, no jornal
O Momento, um semanário valente e independente, que tinha a coragem de se opor
ao Regime Militar que o país respirava na ocasião.
Fazia menos de 6 meses que havia trocado Copacabana pela praia de Tambaú,
quando me ví instado a me tornar um
‘colunista social’, algo inimaginável para quem se considerava um rapaz
latino americano, sem dinheiro no banco, que não tinha muito intimidade
com o luxo e nunca se identificou com a ostentação. Mas, a porta se abriu, e resolvi entrar. Respirei fundo e fui enfrentar o desafio, confiando na minha capacidade e
determinação em conquistar o meu espaço , de suplantar as dificuldades e
conseguir o reconhecimento
dos leitores.
Surgiu a coluna Status Social , que assinava como Jurema Filho, adotando um formato divergente
das colunas do gênero, que tinham como modelo o glamour e as “fofocas”
do high-society, no estilo Ibrahim Sued. Fiz a opção
por um caminho mais moderno que vinha sendo implantado pelo jornalista Zózimo Barroso do Amaral, nas páginas do
JB, que inseria em seu noticiário notas e
comentários sobre política, cultura, economia e assuntos diversos ,
trocando adjetivos por substantivos e suprimindo o elogio gratuito por
uma linguagem mais crítica e
informativa.
A fórmula agradou e, dalí, a coluna migrou para o jornal O Norte,
sucedendo outro monstro sagrado do colunismo da província, o jornalista Ivonaldo Correia,
responsável pela mais ambicionada página social da cidade, no órgão de maior influência da Imprensa
da época. Foram 11 anos de amadurecimento e aprendizagem nos
Diários Associados até que , descontente com os rumos da empresa,
decidi aceitar o convite de Roberto Cavalcanti e fui me abrigar no Correio da Paraíba,
que iniciava projeto audacioso para desbancar a concorrência, o que acabou acontecendo. Foram
30 anos de contínua militância até o
fechamento do jornal, em março do ano passado, surpreendendo os leitores que acreditavam em sua longevidade.
Disposto a seguir em frente, concluí que, após tantos anos, estava na hora da coluna ter vida própria, estreando um modelo
online. O projeto mostrou-se vitorioso,
se consolidou nas redes sociais – Instagram e Facebook – e, também, através das
linhas de transmissão, precioso recurso
disponibilizado pelo aplicativo whatsapp que permite o seu envio
simultâneo a milhares de seguidores.
Hoje faz uma semana que “a coluna que todo mundo lê” retomou o jornalismo impresso,
desembarcando, finalmente, em A União, patrimônio do povo paraibano,
que em mais de um século de existência, foi berço e é morada dos grandes
nomes do jornalismo da minha terra, documentando a
história da Paraíba do nosso tempo. A sensação é de recomeço. De entusiasmo. De desafio. De compromisso renovado em continuar produzindo um jornalismo ético, responsável, confiável,
criterioso , em respeito ao leitor e a favor
do bem comum, sob a inspiração dos ensinamentos do Criador: “só o amor constrói para a eternidade”.
Compromisso que se renova
26 Jan 2021- 183