Ave, Gonzaga!

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Em tempos idos, na redação de O Norte, que frequentávamos com assiduidade,    me tratava como “o menino de Abelardo”.  Tinha pelo meu pai a mesma admiração que lhe dedico hoje e   me premiava exaltando    a integridade e o  espírito público  “de quem federalizou a  Universidade Federal da Paraíba”, como ainda gosta  de repetir. Sob a sua pena,  não adula ninguém: reconhece valores, aplaude os construtores do bem comum e clama por justiça  pelos que  sofrem e padecem das mais comezinhas necessidades para uma vida digna. O saudosissimo jornalista Martinho Moreira Franco, que o tinha como um irmão mais velho, lhe fez uma homenagem no ano passado, que resgato agora,  neste mesmo espaço aqui em A União: - “Voces não sabem quem é o aniversariante de hoje? Gonzaga Rodrigues. E é justamente ele que torna especial o dia agora festejado, pelo que representa para as amizades que o jovem octogenário escravizou ao rememorar o sítio que ainda com ele anda desde Alagoa Nova até Filipéia e outras saudades, passando por Campina Grande. Que tenha ainda vida ainda mais longa o grande cidadão paraibano, glória  das nossas letras, , guia intelectual e espiritual  de várias gerações do seu sublime torrão”, assinalou Martinho, em sua crônica  imortalizada na saudade e contida dos  arquivos de sua amada filha, Maria Amélia Franco. Desde o dia em que o conheci, penetrei em sua alma,  descobri a sua grandeza, e me engajei à legião de devotos que o reconhecem como o maior cronista da atualidade e um dos maiores do nosso tempo, ao lado de Virginius da Gama e Melo, Luiz Augusto Crispim ,  Natanael Alves e outros próceres que marcaram a sua passagem pela imprensa paraibana. Estamos, temporariamente, afastados fisicamente. A pandemia nos privou das  reuniões da Academia, dos saraus literários da Livraria do Luiz e  dos eventos culturais que fequentávamos regularmente . Mas nos comunicamos, com  freqüência, através do whatsapp, benfazeja ferramenta da modernidade  que nos permite  trocar opiniões e  confidências;  revelar  o nosso bem querer e  sentimentos de amizade recíproca. Recentemente, após ler um dos seus textos encantadores, lhe enderecei uma breve mensagem: - Confesso a você que leio os seus artigos e crônicas não por simples curiosidade. Mas para aprender com o seu estilo, admirar o seu talento, enriquecer o meu vocabulário  e absorver a humildade e  os sentimentos tão nobres que você revela em cada parágrafo. Sorver  sua lições de vida; palmilhar os seus caminhos; aprender com suas experiências; amadurecer com os seus conceitos, considerações e com suas frases bem construídas. E, sobretudo, para me orgulhar em desfrutar da amizade de um homem que é uma das melhores referências do meu tempo, como jornalista, escritor e como ser humano. O seu aniversário foi ontem, mas é atemporal. Pode  ser comemorado a qualquer dia. Do alto dos seus oitentões, entre dificuldades e desafios,  na labuta de quem  se criou por conta própria,  que abriu seus próprios  caminhos   com a Inteligência privilegiada que Deus lhe deu, ele  transpôs os limites das redações dos jornais e ultrapassou os umbrais da Academia Paraibana de Letras.  A sua presença  comove.  E todas as vezes que o encontro, faço-lhe uma reverência filial  e tenho vontade de lhe beijar as mãos. Ave, Gonzaga! 

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