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A vacina do Brasil

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Vai fazer um ano que a saúde mundial entrou em colapso. Uma epidemia, que teve início numa distante cidade da China, transformou-se em pandemia, alastrou-se por todo o planeta causando morte e destruição. Somente no Brasil, são mais de 200 mil mortos contabilizados numa tragédia sem precedentes que trouxe o medo e a angústia à vida dos brasileiros. Que provocou drástica mudança de hábitos e de costumes e que obrigou a população a se reinventar para poder sobreviver à nova realidade que se impôs por conta  de um vírus,  perverso e letal.  Durante esse tempo, quando se esperava que o País se unisse contra esse adversário satânico, o que se viu foi um confronto entre os brasileiros,  que se dividiram na aceitação da doença, estimulados, sobretudo,  por quem tinha o dever de proteger a população e  que  decidiu  contestar a ciência e minimizar os seus efeitos. Quanto mais necessitávamos nos fortalecer para o combate, de um líder que nos inspirasse , que nos  orientasse para as estratégias de resistência, nos deparamos  com um megalômano, egocêntrico,   ganancioso, que  mostrou-se  totalmente  incapaz  para a grande missão de liderar a sua gente no momento mais difícil da nossa  história.  Depois de tantas perdas, de tantas lágrimas, de tantas dores; de isolamentos e quarentenas que nos afastaram uns dos outros; de assistir cenas dramáticas nos hospitais lotados e pacientes desenganados, eis que surge uma vacina capaz de imunizar a todos, de nos blindar diante do tiroteio ameaçador;  de trazer de volta a alegria e nos reconciliar com nossa vida laboral e  afetiva; de poder beijar  quem amamos e abraçar os nossos amigos; de restaurar a nossa  confiança e fortalecer o espírito.  Deveríamos, todos,  estar comemorando. Soltando fogos . Dançando na rua e festejando essa fabulosa conquista. Enfim, os homens encontraram um remédio capaz de nos redimir,  proteger contra essa doença que nos aflige e constrange; que nos desmoraliza ; que conseguiu mostrar  o quão frágil é o ser humano.  Ontem, finalmente, assistimos à vacinação da primeira cidadã brasileira.  Uma mulher negra, enfermeira, que arriscou a vida nesses últimos dez meses trabalhando para salvar a vida dos seus semelhantes.  Estava  comovida ao se ver como protagonista de uma episódio marcante na história do seu país:  - Quero apenas que  sigam o meu exemplo. Vacinar não é uma decisão individual, é um ato coletivo que adotamos em respeito aos nossos semelhantes, ensinou.  É preciso que o ensinamento dessa heroína, que colocou a sua vida em risco no campo de batalha, seja devidamente compreendido entre aqueles que não se rendem ao fatos e continuam negando a pandemia; que se recusam a receber a vacina por razões estéreis  que não tem amparo na ciência; por extremismos ideológicos e paixões políticas, desmedidas, desenfreadas  e inconsequentes.   Para esses ortodoxos, será necessário desenvolver uma vacina especifica  para um outro tipo de  vírus que aflige o a Brasil e que contém muitas substância nocivas à saúde: a intolerância, o radicalismo, a agressividade, a insensatez, a virulência e a obtusidade  de quem não gosta de ser contrariado, que não sabe conviver com as diferenças, que não aceita argumentações e não respeita a democracia.  Coronavac, Astrazeneca, Sputinick , Moderna, Pfizer. Não importa de onde venham.  Desde que aprovadas pelos órgãos de saúde, vamos à vacina que é o único caminho que temos para ter  de volta a vida que perdemos. 

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