A segunda onda

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Desde o início dessa pandemia, quando o mundo mergulhou nesta realidade sombria que ameaça o futuro da humanidade, tenho me comportado como um soldado, valente, disposto e pronto para a luta. Inspirado nas lições do meu pai – “é na adversidade que o homem cresce, se fortalece e descobre a sua capacidade de superação dos problemas” – não me intimidei com a estatura do adversário. Procurei respeitá-lo, observar o seu comportamento, seguir os protocolos de segurança e levar a vida adiante, sem interromper o meu trabalho e mantendo o meu compromisso com os leitores. Acreditando em Deus e em sua proteção Divina, direcionei o meu foco para a coluna, que mantenho há 46 anos na Imprensa paraibana, e nos textos que publicamos aqui nesse generoso espaço em A União. Até que, em dezembro do ano passado, quando a doença apresentava enganosos sinais de declínio nas estatísticas oficiais, comecei a apresentar sinais preocupantes de uma tosse seca e intermitente, acompanhada de uma irritação na garganta. Exames clínicos realizados no Laboratório Maurilio de Almeida confirmaram que eu havia sido infectado pela covid-19. Orientado pelo médico Túlio Petrucci, me recolhi em casa e passei a cumprir isolamento de 15 dias. Nesse interim, realizei exames de tomografia para acompanhar o funcionamento dos pulmões; tomei medicamentos diversos e atravessei a tormenta sem maiores problemas, praticamente assintomático. Pensei estar livre dessa ameaça infernal, acreditando numa suposta imunidade adquirida pelos meus anticorpos. “Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”, diziam amigos na tentativa de me convencer de que nada mais me aconteceria. Ledo engano. Três meses depois estava reinfectado e, dessa vez, com bem mais intensidade. Febre, náuseas, paladar prejudicado e comprometimento pulmonar, com a minha capacidade respiratória reduzida em quase 50%. Pior do que isso, o desânimo, a depressão, a preocupação e a ameaça de ser internado e intubado na UTI de um hospital, cumprindo o destino que ceifou a vida de muita gente. Hoje, plenamente restabelecido, com o país superando a casa dos 330 mil mortos, narro essa experiência pessoal para alertar para o perigo e manifestar a minha indignação com o descaso como tem sido tratada a maior tragédia do nosso tempo. E, ao mesmo tempo, louvar a presença do médico paraibano Marcelo Queiroga, em boa hora convocado, que trouxe a razão e o bom senso ao Ministério da Saúde, fazendo valer as orientações científicas, incentivando as vacinas e conclamando a união nacional para enfrentar essa grave ameaça. Mas ainda sonho com um pronunciamento do presidente da República, em rede nacional de televisão: - Meus compatriotas, anuncio que acabei de tomar a minha vacina, o que espero que vocês também façam. E estou aqui para tranquilizá-los. Para dizer que o Brasil tem Governo, que sou presidente de todos os brasileiros, sem discriminação política ou ideológica, sem distinção de sexo, classe social, cor ou religião. Que todas as providências estão sendo tomadas para que, ainda no meu governo, estejamos todos vacinados e essa doença definitivamente erradicada do nosso território. É isso o que, como brasileiro, gostaria de ouvir de quem tem a responsabilidade de dirigir o meu país.

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