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A idade da razão

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Certa vez, o paraibano   Abelardo de Araújo Jurema, já de regresso do seu exilio em Lima, teve um entrevero com um dos seus melhores amigos, o médico Higino Brito, por quem nutria grande apreço por conta de uma amizade que vinha desde os tempos de juventude, quando ambos brilhavam na sociedade paraibana com o seu talento e a sua elegância, despontando em suas carreiras profissionais e considerados entre os melhores “partidos” pelas moças casadoiras de então. O descompasso surgiu por conta de um artigo que  Abelardo  publicara em O Norte sobre  o qual discordou o seu velho amigo, que não tinha papas na língua e que contraditou, também através da imprensa e de forma bastante dura , o ponto de vista do seu companheiro de antigas jornadas. Quando os leitores aguardavam a tréplica, esperando que o clima esquentasse entre dois homens de indiscutível projeção na cidade, eis que o ex-ministro da Justiça dedica  apenas  um breve recado de duas linhas, no roda-pé de sua coluna no prestigiado órgão dos Diários Associados.   - Higino, meu caro. Vamos deixar essa pendenga de lado. Nem eu , nem você, temos mais tempo de construir uma amizade de 50 anos.   E na noite daquele mesmo dia, foi visita-lo em sua casa, no Largo da Igreja de São Francisco, onde se abraçaram, tomaram boas doses de whisky, e se confraternizaram afetuosamente em minha presença e do seu filho, Gratuliano Brito, o Gratú,  de saudosa memória. Lembro desse episódio para ilustrar o que move os meus sentimentos e preenche o meu espirito  nesses sessenta e tantos anos já vividos e percorridos com fé e perseverança no trabalho; com destemor no enfrentamento dos desafios, na superação das angústias,  e na certeza de que estamos aqui para servir, para fazer o bem, seguindo os ensinamentos do Criador de que devemos nos amar, uns aos outros. Cada vez mais convencido que meu pai estava certo, de que não podemos prescindir dos amigos leais e sinceros, que conhecem as nossas qualidades e os nossos defeitos e compartilharam os bons e maus momentos, concluo que nenhum eventual conflito de ideias e posicionamentos políticos  devem afetar uma relação consolidada através dos anos. Divergências, queixumes, rancores, tudo isso deve ser relevado em nome desse bem precioso e inegociável que é a verdadeira amizade. Chegando perto dos 70, com quase cinquenta anos de jornalismo, tomei uma providência que me deixou mais leve: procurei os pouquíssimos desafetos que imaginava possuir, por questões menores e totalmente dispensáveis,  e  os conclamei à reconciliação, estendendo a minha mão, disposto eliminar  constrangimentos desnecessários  e situações embaraçosas com aqueles que conviveram comigo e de quem  nos afastamos,  por motivos fúteis e indesejados. Se já não guardava mágoas -  minha memória sempre foi  prodigiosa em esquecer dissabores e decepções - com o passar dos anos,  tornei-me um homem maduro, que não sabe tudo mas  acumulou experiências; que chora e se alegra com igual intensidade; que não economiza as suas emoções e energias; que não se intimida nem se deixa intimidar; que se sente feliz e recompensado com a felicidade alheia. Salve a maturidade! Viva a sabedoria! Aos 68 anos, caminho com segurança e otimismo, com fé em Deus  e esperança no coração. 

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