Só o amor constrói

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Uma das características do meu pai era a sua capacidade de enfrentar as situações mais adversas sem perder a tranqüilidade, o discernimento  e a fé em Deus. Quando do seu exílio de mais de  quatro anos em Lima, no Perú,  sem a presença dos amigos e da família, numa época em que não existia internet nem telefone celular, sobreviveu à intempérie com extraordinária bravura, sem necessidade de tranqüilizantes ou sessões de psicanálise.    - “Os meus aliados foram  o trabalho,  a musica , a leitura e, quando possível, um bom whisky”, dizia o “velho” Abelardo Jurema, oferecendo a sua receita para os exilados brasileiros  tristes e desesperançados, que vagavam  em terras peruanas enquanto aguardavam o retorno à Pátria amada  Brasil,  ao país do futebol, de  uma alegria tão contagiante que muitos  chegavam a garantir  que “Deus era brasileiro”.    Hoje, certamente, não seria assim. Com a pandemia e as suas nefastas consequências que resultaram em mais de 520 mil mortos, quantidade suficiente para cobrir cinco Maracanãs lotados em dias de Fla x Flu, vivemos  tempos soturnos de desamores, violência, intolerância e agressões, alimentado por lideranças politicas,  através das redes  sociais,  onde se espalha o ódio, o preconceito e a discriminação, tornando o país irrespirável aos que pretendem apenas viver em paz e harmonia .   Junte-se a isso o isolamento social, os conflitos ideológicos, os desentendimentos familiares e entre amigos de longas datas que abdicaram da amizade, da  racionalidade e de sua capacidade de discernimento para se dividirem entre Direita e Esquerda, reconstruindo um novo Muro de Berlim que durante tantos anos dividiu a Alemanha – e o mundo  -  após uma guerra sangrenta que matou milhões de pessoas.   E para tornar o quadro ainda mais sombrio, constatamos , a cada dia, o aumento da miséria humana, com famílias inteiras, incluindo crianças, vivendo ao relento, postadas nos sinais de transito esperando a comiseração alheia. As cenas se repetem a cada esquina e o sentimento que provocam é de vergonha e constrangimento aos que estão em seus automóveis , percebendo a própria  incapacidade  em  resolver os nossos problemas mais urgentes.   Está cada vez mais difícil colocar a cabeça no travesseiro e dormir sem a ajuda de sedativos e ansiolíticos que nos proporcionem o sono necessário ao nosso equilíbrio emocional. Contas a pagar, juros extorsivos, custo de vida nas alturas, tributos, impostos, taxas e tantos outros compromissos convivem com falta de vacinas, a fome,  o negacionismo, irresponsabilidades e inconsequências que nos fazem desacreditar no futuro.   Nesse caso, o trabalho, a música e a leitura não bastam. É preciso serenidade, equilíbrio, sensatez para não nos deixarmos levar pelas paixões, pelo extremismo e pela intransigência. O célebre e genial escritor Ariano Suassuna, em uma de suas frases antológicas, observou:   -  O radicalismo e a inteligência nunca viveram na mesma casa.   É preciso que prevaleça a voz da  razão, de homens que se disponham trabalhar pela união do País. Que esqueçam, por um momento, os seus interesses eleitorais;  que relevem as diferenças, que superem divergências, conceitos e posicionamentos ideológicos para pensar no Brasil para todos os brasileiros.   Nunca esses  velhos provérbios foram tão  necessários: a união faz a força e só o amor constrói para a eternidade. 

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