As atenções do País voltam-se hoje para um
programa de televisão
polêmico, controvertido, criticado por alguns e acompanhado por uma
imensa maioria de aficionados que lhe confere a maior audiência da
televisão brasileira em todos os tempos. Criado a partir de uma fórmula
holandesa, a empresa Endemol, de confinar numa
casa um grupo heterogêneo de participantes, e, a partir daí,
transformar seres humanos num laboratório fascinante de experiência
coletivas e individuais, sob os olhares atentos de curiosos
observadores, o Big Brother Brasil transformou-se em paixão nacional.
Eu mesmo
nunca simpatizei com o BBB. Lembro de ter
acompanhado apenas o programa de lançamento, há 20 anos, muito mais pela
novidade que trazia do que pelo interesse em sua proposta de ficar
bisbilhotando a vida alheia. Agora,
por conta da pandemia que nos levou para dentro de nossas casas, fui
atraído pelo marketing global que anunciava a realização “do maior Big
Brother de todos os tempos”, que reuniria um grupo interessante de
pessoas entre artistas, blogueiros , gente comum
e pessoas famosas, o que imprimiria mais conteúdo ao show da vida
pretendido pela emissora.
Logo à primeira vista, chamou minha
atenção uma paraibana, advogada e maquiadora, que se apresentou repetindo versos da canção de Geraldo Vandré: - Prepare o seu coração, pras coisas que eu
vou contar. Eu venho
lá do sertão e posso não lhe agradar. Aprendí a dizer não, ver a morte
sem chorar, e a morte, o destino, tudo, estava fora do lugar. E eu vivo
pra consertar.
O nome dela era Juliette Freire. Natural de
Campina Grande, já
em suas primeiras participações mostrava-se disposta a ocupar o seu
espaço . Inteligente, ilustrada, autêntica, apresentou as suas
credenciais como uma mulher comprometida com suas origens nordestinas,
valente, insubmissa e voluntariosa. Mais do que isso,
exibia um carisma irresistível, um caráter e uma integridade
transparente que fazia a diferença entre os demais participantes do
programa.
Não demorou muito para conquistar o País, tão
carente de ídolos,
tão necessitado de pessoas que nos representem; que nos orgulhem;
que nos motivem; que sirvam de exemplo da força irrefreável
do bem e da verdade; que se imponham com
argumentos; que nos convençam pela palavra; que nos ofereçam lições de
resiliência, compreensão e sabedoria para entender e compreender a
diversidade humana.
Não é necessário aguardar o final do programa
de hoje para saber
quem venceu esse desafio que envolveu experiências marcantes das
dificuldades da intimidade, conflitos, emoções e angústias, temperados
com
diversão e alegria .
Inspirando músicas, poemas e declarações de amor de poetas, cantadores,
artistas e intelectuais, Juliette é a grande
vitoriosa. Consagrada no julgamento popular, com mais de 23 milhões de
seguidores nas redes sociais , ela emerge do anonimato em
um programa de TV e torna-se uma estrela,
a iluminar novos caminhos e a nos injetar uma dose da vacina
da esperança e do otimismo, nesses turvos tempos de desesperança e
desilusão.
Salve a Rainha Juliette!
A rainha Juliette
03 Mai 2021- 168