no image

A bandeira que fala

  • 205
Fonte:
Imprimir

Aproxima-se o 26 de julho, data do assassinato do presidente João Pessoa, e com ele recrudescem as manifestações contrárias ao  grande líder paraibano. Noventa e um anos depois do episódio da Confeitaria Glória , quando ele caiu abatido por três tiros à queima roupa,  há quem se aproveite  da data para questionar a legitimidade de sua  liderança popular; outros,  adotam  o roteiro  surrado da mudança do nome da Capital. E há, também,  os que investem contra  a bandeira da Paraíba,  que traduz o sentimento de uma época,  símbolo  da emoção e da revolta dos paraibanos com a morte violenta do seu grande líder.   Eu ainda era estudante do Colégio Acadêmico, no Rio de Janeiro, quando, nas aulas de Moral e Cívica, disciplina lamentavelmente extinta do curriculo escolar, quando fui apresentado à nossa bandeira. Um desenho simples, de  um retângulo em preto e vermelho,  com a palavra instigante a provocar os que a contemplam: Nego   Entre todos os pendões  dos vários estados brasileiros, foi o que mais me chamou  a  atenção. Não apenas pela minha origem paraibana, mas pelo mistério que a envolvia, pela sentimento  que aquela afirmação inspirava. Afinal, seria mais natural que ali estivesse escrito  "sim", "aceito", "concordo", "fique à vontade" ou outro sinônimo que representasse submissão, obediência, conformação.   Mas, não. A bandeira da minha terra  representava uma contestação, um grito de liberdade e Independência. E me  senti orgulhoso.   Naquele tempo ainda não sabia o real significado daquele brado.  Mesmo assim, admirava o que estaria por trás daquele gesto altivo, até que  meu pai, que era “perrepista" e, teoricamente, contrário ao presidente João Pessoa, haveria de me contar o que acontecera, a dimensão   que aquele verbo, conjugado na primeira pessoa, representava para a história da Paraíba e do Brasil.   Era de um homem que nascera em Umbuzeiro, no sertão paraibano,  para se consagrar Governador e candidato a vice-presidente da República do seu país, numa chapa liderada pelo presidente Getúlio Vargas. Não era a expressão de um cidadão comum: era a reação de um líder falando em nome do seu povo sofrido, humilhado e discriminado.   No próximo dia 26 de julho, o Governo da Paraíba, mais uma vez, irá homenagear a memória do presidente João Pessoa,  reconhecendo a importância do  legado que nos deixou, menos por sua morte,  inglória e injusta, e muito mais   pelo que representou em vida, pela integridade  e personalidade  no exercício da vida pública e  que levaram o nosso Estado  a ocupar espaço relevante na política nacional.   João Pessoa está na denominação da Capital ; nos jardins do Palácio da Redenção e no coração dos paraibanos que tem memória e respeito pelo  seu passado.

Matéria Anterior Artesanato em alta
Próxima matéria Ricardo Coutinho ressurge no cenário eleitoral da PB
Leia também:

+Notícias

Não perca as mais lidas da semana

no image
Ver mais notícias