Aproxima-se o 26 de julho, data do assassinato do presidente João Pessoa, e com ele recrudescem
as manifestações contrárias ao grande líder
paraibano. Noventa e um anos depois do episódio da Confeitaria Glória ,
quando ele caiu abatido por três tiros à queima roupa,
há quem se aproveite
da data para questionar a legitimidade de sua
liderança popular; outros, adotam
o roteiro surrado da mudança do nome da Capital. E há, também,
os que investem contra
a bandeira da Paraíba, que traduz o sentimento de uma época,
símbolo da emoção e da revolta dos paraibanos com a morte violenta do seu grande líder.
Eu ainda era estudante do Colégio
Acadêmico, no Rio de Janeiro, quando, nas aulas de Moral e
Cívica, disciplina lamentavelmente extinta do curriculo escolar, quando
fui apresentado à nossa bandeira. Um desenho simples, de
um retângulo em preto e vermelho,
com a palavra instigante a provocar os que a contemplam: Nego
Entre todos os pendões
dos vários estados brasileiros, foi o que mais me chamou
a atenção. Não apenas pela minha origem paraibana, mas pelo mistério que a envolvia, pela sentimento
que aquela afirmação inspirava. Afinal, seria mais natural que ali estivesse escrito
"sim", "aceito", "concordo", "fique à vontade" ou outro sinônimo que representasse submissão, obediência, conformação.
Mas, não. A bandeira da minha terra
representava uma contestação, um grito de liberdade e Independência. E me
senti orgulhoso.
Naquele tempo ainda não sabia o real significado daquele brado. Mesmo assim, admirava o que
estaria por trás daquele gesto altivo, até que
meu pai, que era “perrepista" e, teoricamente, contrário ao presidente
João Pessoa, haveria de me contar o que acontecera, a dimensão
que aquele verbo, conjugado na primeira pessoa, representava para a história da Paraíba e do Brasil.
Era de um homem que nascera em Umbuzeiro, no sertão paraibano,
para se consagrar Governador e candidato a
vice-presidente da República do seu país, numa chapa liderada pelo
presidente Getúlio Vargas. Não era a expressão de um cidadão comum: era a
reação de um líder falando em nome
do seu povo sofrido, humilhado e discriminado.
No próximo dia 26 de julho, o Governo da Paraíba, mais uma vez, irá homenagear a memória do presidente
João Pessoa, reconhecendo a importância do
legado que nos deixou, menos por sua morte,
inglória e injusta, e muito mais
pelo que representou em vida, pela integridade
e personalidade
no exercício da vida pública e que levaram o nosso Estado
a ocupar espaço relevante na política nacional.
João Pessoa está na denominação da Capital ; nos jardins do Palácio da Redenção e no coração
dos paraibanos que tem memória e respeito pelo seu passado.
A bandeira que fala
20 Jul 2021- 205